Cenário:
O cenário enquanto sistema semiótico determina o
espaço e o tempo da ação teatral. Contudo, para se
entender o cenário em sua linguagem, é preciso recorrer
à gramaticalidade de outras sistemas artísticos, como a
pintura, a escultura, a arquitetura, a decoração, o
design da iluminação. São esses sistemas que se
encarregam de representar um espaço geográfico (uma
paisagem, por exemplo), um espaço social (uma praça
pública, uma cozinha, um bar) ou um espaço interior (a
mente, as paixões, os conflitos, os sonhos, o imaginário
humano). No cenário, ou apenas em um dos seus constituintes, se
projeta o tempo: a época histórica,
estações do ano, horas do dia, os momentos fugazes do
imaginário. Existe ainda o caso dos espetáculos em que os
recursos cenográficos estão na performance do ator, no
ruído, no vestuário ou na iluminação.
Gesto:
O gesto é um dos organizadores fundamentais da gramática
do teatro. É no gesto e também na voz que o ator cria a
personagem (persona). Através de um sistema de signos
codificados, tornou-se um instrumento de expressão
indispensável na arte dramática ao exprimir os
pensamentos através do movimento ou atitude da mão, do
braço, da perna, da cabeça ou do corpo inteiro. Os signos
gestuais podem acompanhar ou substituir a palavra, suprimir um elemento
do cenário , um acessório, um sentimento ou
emoção. Os teóricos do gesto acreditam ser
possível fazer com a mão e o braço cerca de 700.00
signos.
Iluminação:
Diferente dos demais sistemas sígnicos teatrais, a
iluminação é um procedimento bastante recente. Sua
introdução no espetáculo teatral, deu-se apenas no
séc XVII, ganhando fôlego com a descoberta da
eletricidade. A principal função da
iluminação é delimitar o espaço
cênico. Quando um facho de luz incide sobre um determinado ponto
do palco, significa que é ali que a ação se
desenrolará naquele momento. Além de delimitar o lugar da
cena, a iluminação se encarrega de estabelecer
relações entre o ator e os objetos; o ator e os
personagens em geral. A iluminação "modela"
através da luz o rosto, o corpo do ator ou um fragmento do
cenário. As cores difundidas pela iluminação
é um outro recurso que também permite uma leitura
semiológica.
Movimento cênico do ator:
As várias maneiras do ator se deslocar no espaço
cênico, suas entradas e saídas ou sua
posição com relação aos outros atores, aos
acessórios, aos elementos do cenário ou até mesmo
aos espectadores, podem representar os mais variados signos. A
movimentação tanto cria a unidade do texto teatral como
organiza e relaciona as seqüências no espaço
cênico.
Música:
A música sempre esteve presente no teatro, desde as suas
origens. A música por se envolver no tempo é o elemento
dialógico por excelência do texto teatral. Dialoga com os
movimentos do ator, explicita seu estado interior, contracena com a
luz, com o espaço em todos os seus aspectos. Quando acrescentada
a outros sistemas sígnicos de uma peça, o papel da
música é o de enfatizar, ampliar, de desenvolver e
até de desmentir ou substituir os signos dos outros sistemas. Um
outro exemplo da utilização da música no teatro
é a escolha que o diretor faz do tema musical que acompanha a
entrada e a saída de um determinado personagem, tornando-a assim
signo de cada uma delas.
Vestuário:
Assim como na vida real, o vestuário no teatro se reporta a
vários sistemas sígnicos da cultura. A sua
decodificação pode indicar tanto o sexo quanto idade,
classe social, profissão, nacionalidade, religião de um.
No entanto, o poder semiológico do vestuário não
se limita apenas a definir o personagem que o veste. O traje é
também o signo que representa clima, época
histórica, região, estação do ano, hora do
dia. É interessante observar que em certas
tradições teatrais, como na comédia della'arte por
exemplo, a vestimenta torna-se uma espécie de "máscara"
que vai identificar os tipos imutáveis (stock characters), que
se repetem de geração a geração.
Personagens como o avarento, o bufão, o rei, a megera, a donzela
e o servo trapalhão entre outros. O vestuário é
também um sistema de signos que se reporta a outros sistemas da
cultura, como por exemplo a moda.
Voz:
A voz é, antes de mais nada, elemento fundador do texto teatral,
escrito ou não. Quando não vocalizado, o texto é
gesto. É pela voz que o ator dá vida a seu personagem.
Ela atua como uma "fronteira de liberdade" que o ator explora a seu
modo, através da entoação, do ritmo, da rapidez e
da intensidade com que ele pronuncia as palavras antes apenas escritas,
criando desta forma, os mais variados signos. A voz e o gesto formam a
performance, a linguagem primária do teatro. |